Dia da Mulher: desafios e força das mulheres da periferia no Brasil
A violência doméstica, a desigualdade econômica e a sobrecarga de trabalho fazem parte da realidade de muitas mulheres nas periferias brasileiras. Ainda assim, são elas que sustentam famílias, comunidades e economias locais.
No Brasil, falar sobre o Dia da Mulher também é olhar para a realidade das mulheres da periferia. Elas sustentam famílias, cuidam de várias gerações, movimentam economias locais e organizam comunidades inteiras — muitas vezes enfrentam desigualdade social, violência doméstica e falta de oportunidades.
Estudos recentes ajudam a compreender melhor essa realidade e mostrar como fortalecer mulheres em territórios periféricos é essencial para transformar comunidades inteiras.
Mulheres da sustentabilidade periferia, famílias e múltiplas gerações
Um estudo publicado em 2026 pela Data8, intitulado Velhices Periféricas: o descompasso entre os tempos de viver, trabalhar, cuidar e sustentar, revela que as mulheres são maioria entre a população com mais de 50 anos nas classes C, D e E.
Entre os principais dados da pesquisa:
- 55% das pessoas com mais de 50 anos nas classes populares são mulheres
- Na classe D, esse número chega a 59%
- Cerca de 70% se declaram negros ou pardos
Essas mulheres vivem frequentemente em domicílios multigeracionais, com filhos, netos e outros familiares no mesmo lar.
Segundo o estudo, 43% ajudam financeiramente filhos ou netos, assumindo um papel central na sustentação econômica e emocional da família.
Ao mesmo tempo, o envelhecimento nas periferias ocorre em condições mais desafiadoras: menor acesso à saúde preventiva, proteção social limitada e baixa autonomia financeira.
Como retoma a pesquisa, a realidade das periferias revela um paradoxo social: vive-se mais, mas nem sempre se vive melhor.
A violência doméstica é o maior desafio enfrentado pelas mulheres da periferia
Outro estudo recente revela um problema ainda mais urgente.
De acordo com a pesquisa Sonhos da Favela, realizada pelo Instituto Data Favela em 2026, 7 em cada 10 mulheres das periferias brasileiras apontam a violência doméstica como o maior desafio enfrentado em suas vidas.
Nas periferias de São Paulo, esse índice chega a 68%.
A preocupação é sustentada por dados nacionais. Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, o Brasil registrou 1.518 vítimas de feminicídio em 2025, o maior número desde o início da série histórica.
Além da violência doméstica, o estudo aponta outros desafios enfrentados pelas mulheres da periferia:
- falta de apoio no cuidado com os filhos (43%)
- dificuldade de acesso ao trabalho e renda (40%)
- A ausência de creches, redes de apoio ou suporte familiar muitas vezes impede que as mulheres consigam trabalhar ou empreender, aprofundando ciclos de vulnerabilidade social.
A economia das periferias também é impulsionada pelas mulheres
Apesar dos desafios estruturais, as periferias brasileiras também revelam forte capacidade de organização econômica e social.
Segundo dados do Instituto Data Favela (2025), a economia das favelas brasileiras movimenta cerca de R$ 300 bilhões por ano.
Muitos moradores encontram no empreendedorismo uma forma de gerar renda e sustentar suas famílias.
O estudo também mostra que 38% dos moradores das periferias têm como principal sonho profissional abrir o próprio negócio.
Além disso, 45% dos entrevistados afirmaram positivamente a convivência comunitária em seus territórios, destacando a importância das redes de apoio locais.
Esses dados mostram que a periferia não é apenas um espaço de desafios, mas também um território de resiliência, trabalho e construção coletiva de oportunidades.
Investir em mulheres da periferia, transformar comunidades


Diversos estudos internacionais mostram que investir na educação e no desenvolvimento de meninas e mulheres gera impacto direto na redução da pobreza e no fortalecimento das comunidades.
Quando as mulheres têm acesso à educação, formação profissional e apoio socioemocional:
- aumentar as oportunidades de renda
- diminuir as vulnerabilidades sociais
- melhorar as condições de vida das famílias
- ampliar o desenvolvimento comunitário
É com esse olhar que as organizações sociais têm iniciativas ampliadas para mulheres e jovens em territórios periféricos.
No Instituto Ascendendo Mentes, por exemplo, programas como o Éh Tudo Nosso promovem formação socioemocional, cidadania, informática e projeto de vida para mulheres da periferia, fortalecendo autonomia, autoestima e novas perspectivas de futuro.
Como apoiar o Instituto Ascendendo Mentes
Transformar realidades exige ação coletiva. Empresas, doadores e voluntários podem contribuir para ampliar oportunidades para jovens e mulheres das periferias.
Existem diferentes formas de apoiar o trabalho do Instituto Ascendendo Mentes:
- Tornar-se doador recorrente
- Contribuições mensais ajudam a garantir a continuidade dos programas sociais desenvolvidos pelo Instituto.
- Apoiar como empresa parceira.
- Profissionais e cidadãos podem contribuir com tempo, conhecimento e experiência para fortalecer as atividades realizadas com jovens e mulheres nos territórios atendidos.
As parcerias incluem contrapartidas institucionais, relatórios de impacto e oportunidades de participação em ações sociais.
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